“Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.” (Marilena Chaui)

sábado, 19 de março de 2011

MATÉRIA DA PRIMEIRA SÉRIE

A filosofia nasceu na Grécia, por volta do século V a.C., quando buscando investigar a origem e a ordem do mundo, os pensadores gregos romperam com as explicações mitológicas e buscaram na razão, as respostas para suas indagações. Tales de Mileto foi o primeiro filósofo grego, e afirmava que a água era a matéria prima que originava todos os seres, ou seja, a água era a arché. Anaximandro de Mileto afirmou que a arché era o que chamou de Àpeiron, ou seja, uma substância infinita, ilimitada e indeterminada, uma massa criadora de todos os seres.

“Nem água, nem algum dos elementos, mas alguma substância diferente, ilimitada, e dela nascem os céus e os mundos neles contidos.” (Anaximandro de Mileto)
Anaxímenes de Mileto concordava que a arché era algo infinito e que não podia ser observada, mas discordava que fosse indeterninada. Segundo ele, a arché era o ar. Pitágoras de Samos afirmava que a natureza possuia uma estrutura matemática, afirmando que os números eram a arché.
“A filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário determo-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida(estado latente, prestes a se transformar), está contido o pensamento: “Tudo é Um”. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a segunda o tira dessa sociedade e o mostra como investigador da natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo grego.”

(Friedrich Nietzsche; em “A filosofia na época trágica dos gregos”)

O filósofo alemão Nietzsche reconhece Tales de Mileto como o primeiro filósofo, justamente por ele ter dito que “a água é a origem de todas as coisas.” Para Nietzsche em “A filosofia na época trágica dos gregos”, é preciso levar tal afirmação a sério, pois ela  enuncia algo sobre a origem das coisas; o faz sem imagem ou fabulação; e contém o pensamento “tudo é um”.


QUESTÃO PARA REFLEXÃO

Muitas vezes, somos surpreendidos pela compreensão “naturalista” que os primeiros pensadores tiveram da realidade. Tales de Mileto, por exemplo, dizia que “tudo é água”. Essa atitude, que pode parecer ingênua, possibilitou, o nascimento da filosofia porque, diferentemente dos mitos, através dela chega-se à

(A)    Compreensão do real sem narrativas ou imagens.  
(B)    Interpretação objetiva da realidade.
(C)    Explicação natural da própria natureza.  
(D)    Consciência de que o um é a essência, o verdadeiro. 
(E)  Definição consistente do modo pelo qual as coisas são.