“Nem água, nem algum dos elementos, mas alguma substância diferente, ilimitada, e dela nascem os céus e os mundos neles contidos.” (Anaximandro de Mileto)
Anaxímenes de Mileto concordava que a arché era algo infinito e que não podia ser observada, mas discordava que fosse indeterninada. Segundo ele, a arché era o ar. Pitágoras de Samos afirmava que a natureza possuia uma estrutura matemática, afirmando que os números eram a arché.
“A filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário determo-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida(estado latente, prestes a se transformar), está contido o pensamento: “Tudo é Um”. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a segunda o tira dessa sociedade e o mostra como investigador da natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo grego.”
(Friedrich Nietzsche; em “A filosofia na época trágica dos gregos”)
O filósofo alemão Nietzsche reconhece Tales de Mileto como o primeiro filósofo, justamente por ele ter dito que “a água é a origem de todas as coisas.” Para Nietzsche em “A filosofia na época trágica dos gregos”, é preciso levar tal afirmação a sério, pois ela enuncia algo sobre a origem das coisas; o faz sem imagem ou fabulação; e contém o pensamento “tudo é um”.
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
Muitas vezes, somos surpreendidos pela compreensão “naturalista” que os primeiros pensadores tiveram da realidade. Tales de Mileto, por exemplo, dizia que “tudo é água”. Essa atitude, que pode parecer ingênua, possibilitou, o nascimento da filosofia porque, diferentemente dos mitos, através dela chega-se à
(A) Compreensão do real sem narrativas ou imagens.
(B) Interpretação objetiva da realidade.
(C) Explicação natural da própria natureza.
(D) Consciência de que o um é a essência, o verdadeiro.
(E) Definição consistente do modo pelo qual as coisas são.